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Superman


O novo Superman dividiu a crítica como um cristal de kryptonita editorial: para uns, é uma aventura divertida, nostálgica e cheia de personalidade; para outros, um espetáculo apressado, raso e superproduzido. Mas afinal: quando o “divertido demais” vira um problema?

Existe uma nova batalha se desenrolando no multiverso cinematográfico. Não tem a ver com Lex Luthor, Brainiac ou qualquer vilão intergaláctico. A treta é aqui mesmo na Terra, mais precisamente nas salas de imprensa, entre poltronas de críticos, teclados furiosos e corações divididos. O motivo? “Superman” (2025).

Enquanto parte da crítica recebeu o novo filme do Homem de Aço como um épico divertido, esperto e até nostálgico — uma mistura de aventura pop com alma de gibi retrô —, outra parte parece ter saído da sessão com náuseas de tanto açúcar, CGI e piadinhas por minuto. Para alguns, o filme é uma carta de amor ao legado dos quadrinhos. Para outros, é um morango do amor emocional embalado em papel crepom azul com overdose de fan service.

E, no fundo, os dois lados podem estar certos.







Superman

Um Superman, duas realidades

O novo Superman, dirigido por James Gunn e protagonizado por David Corenswet, conseguiu algo raro no universo dos blockbusters: dividir a crítica de forma visceral. E não no bom e velho estilo “ame ou odeie”, mas quase como se estivéssemos falando de dois filmes diferentes. Um seria um reboot carismático, com toques de humor despretensioso, referências aos gibis das décadas de 60 e 70, e um herói mais humano (mesmo vindo de Krypton). O outro? Um caos de efeitos, ritmo frenético e emoções plastificadas que parecem ter saído de uma sala de reunião da Warner, não de um roteiro.

É o paradoxo do entretenimento: quando um filme tenta tanto ser “divertido”, será que ele esquece de ser… bom?

O que é “diversão”, afinal?

Nos últimos anos, os filmes de super-herói passaram por uma mutação que nem o vilão Apocalipse entenderia. De “eventos” cinematográficos a fast-food emocional. E com isso, a palavra “diversão” virou uma entidade meio difusa. O que era leve virou superficial. O que era ágil virou apressado. E o que era fan service virou estratégia de retenção de público para os próximos 10 spin-offs.

Esse Superman 2025, por exemplo, é acusado por alguns de querer demais: ser engraçado, ser emocionante, ser moderno, ser nostálgico, ser relevante. E quando um filme quer ser tudo, às vezes, ele acaba não sendo nada.

Mas será mesmo?

Superman







O charme do novo Clark Kent

Superman

Há algo de comovente e genuíno no Clark de Corenswet. Um Superman mais vulnerável, menos messiânico, que carrega no peito não só o “S” da esperança, mas também um punhado de dúvidas existenciais herdadas de seus pais kryptonianos. Gunn, como diretor, abraça o absurdo dos quadrinhos com ares de ópera pop. E sim, tem um cachorro alienígena no meio. (E não, ele não é o problema do filme, acredite.)

O que muita gente critica como excesso — de piadas, de ação, de efeitos — outros enxergam como estilo. E convenhamos: se a Marvel e a DC andam flertando com a ideia de “filmes como produto”, Superman pelo menos tem personalidade suficiente pra não parecer um algoritmo de IA com capa vermelha.

A crítica como batalha ideológica

Talvez a divisão nas críticas diga menos sobre o filme e mais sobre o estado atual do cinema blockbuster. Há um ranço instalado contra filmes de herói, uma sensação (justificada, aliás) de que estamos vivendo o crepúsculo das capinhas coloridas. Para muita gente, esses filmes são os grandes vilões da morte do cinema autoral, substituindo experiências únicas por peças de um quebra-cabeça eterno.

E aí vem um filme como Superman, que se esforça para resgatar algo do charme antigo — mas com cara de novo. Para uns, isso é um feito. Para outros, é só disfarce.

Cartaz do Superman

Mas afinal: é divertido?

Sim. Ou… depende. Se você cresceu lendo gibi com cheiro de papel jornal, vai pescar referências, rir com gosto e talvez até se emocionar. Se você quer cinema com peso, densidade e sentido existencial — talvez a Kryptonita aqui seja sua própria expectativa.

A pergunta que fica é: será que chegamos num ponto onde “se divertir” já não é o suficiente? Será que, na ânsia de ver profundidade até em filmes com cueca por cima da calça, esquecemos que nem todo entretenimento precisa mudar sua vida — às vezes, ele só precisa te fazer sorrir?

No fim das contas, talvez a resposta para a crise de imagem dos filmes de herói não esteja nas bilheterias, nem nos fóruns, nem no Rotten Tomatoes. Talvez esteja em redescobrir o que faz a gente sair do cinema com aquele brilho no olhar. A mesma coisa que fazia a gente olhar pro céu e acreditar — mesmo por um instante — que um homem pode voar.

 

Nota do crítico: 4 de 5 capas esvoaçantes


Não é um “The Dark Knight”, mas também não é “Batman v Superman”. É um novo começo. E, por enquanto, um bom começo.







Superman e Lois

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